29 novembro 2011

O Luto na Infância!

Como aceitar algo que não faz sentido para a criança?
Como aceitar a morte de alguém?
Muito embora a morte esteja presente na vida de todos nós - adultos - para a criança, a morte não faz parte sequer do seu imaginário. Se esta acontece com um familiar próximo, a criança tem pela primeira vez a noção de perda e de que a vida é efémera. Para uma criança, a morte é sempre algo repentino e inesperado e este acontecimento marcará para sempre a criança e para a superar pode ter um largo percurso pela frente. Embora superar não signifique esquecer e sim aceitar e interiorizar, se a perda se deu com um ser muito querido como um dos avós, a criança sofrerá provavelmente mais do que um adulto porque não está preparada sequer para a morte. Ela, para além de enfrentar o desaparecimento do ser que lhe era querido, terá de confrontar-se pela primeira vez com uma nova realidade – a própria noção de morte.

Dar a notícia
Dar a conhecer à criança a morte não é fácil. Muito embora, muitas vezes, a morte seja o terminar de um processo de uma doença prolongada, e a criança tenha acompanhado parcialmente esse processo, é sempre muito complicado explicar que a pessoa partiu. Se a família é religiosa, a forma mais simples é dizer-lhe que foi para o céu. Quando não, na maioria das vezes, diz-se apenas "morreu", devendo sempre deixar na criança a liberdade de se expressar. Quando a criança está na idade dos porquês, sujeita-se a uma série de questões que talvez acabe por não responder, o que a deixará ainda mais ansiosa. É importante que se tenha especial atenção nas frases que utilizamos para comunicar a morte de alguém, uma vez que o uso de certas expressões poderá confundir a criança. Frases como “finalmente descansou” podem levar a criança a pensar que, se a pessoa dormir e descansar poderá voltar. Por outro lado, expressões que envolvam a ideia de que a pessoa está viva, só que está no céu e/ou em algum lugar paradisíaco, poderão levar a criança a pensar que gostavam de morrer para poder voltar a estar com os seus entes queridos. Também não é conveniente que a criança acompanhe o enterro. A criança deve ficar com amigos da família e preferivelmente que tenham crianças para que se distraia e esteja longe dos familiares que certamente estão a passar uma grande dor e sem a paciência suficiente para as actividades e questões constantes da criança.
Contudo, e dependendo da idade da criança, caso esta evidencie uma grande vontade de ir ao funeral é preferível que a família permita que a criança vá até ao espaço onde estão a decorrer as cerimónias fúnebres. O objectivo é permitir que a criança participe e tenha oportunidade de dizer “Adeus” ajudando-a a aceitar a realidade da morte. Caso contrário, corremos o risco de a criança criar fantasmas acerca de todo o processo que envolve a morte, não executando um processo de luto saudável e dando lugar ao luto patológico.

O processo de luto
Muito embora a morte seja uma realidade na nossa vida, é algo que tememos e gostaríamos de evitar. Quando surge na nossa família ou com alguém que nos é muito chegado, podemos ter sentimentos de raiva, dor, descrença, revolta... Para ultrapassar todo este misto de sentimentos teremos de passar o processo de luto. Isto é, passar da dor à aceitação. E, se para nós adultos, esta aceitação é muitas vezes penosa, para as crianças pode revestir-se de situações muito complicadas de entender. A criança pode sentir medos, tais como, que a mãe e o pai também desapareçam ou que até ela, possa também morrer.
- sentir raiva;
- partir os brinquedos de que mais gosta, não querer brincar com os amigos;
- regredir na sua normal evolução, tal como, fazer de novo chichi na cama, não querer dormir sozinha;
- birras sem motivo. 
A criança vai ter de soltar os seus sentimentos até que lhe passe a sua dor e aceite o afastamento. Os pais deverão estar especialmente atentos às atitudes e comportamentos da criança durante esta fase, aceitando e compreendendo. Se a criança anda na escola, os pais devem avisar os professores, para que também estes possam ajudá-la neste longo caminho a percorrer.

Do nascer ao morrer
A vida e a morte fazem parte de um ciclo e quanto mais cedo as crianças o entenderem, mais facilmente aceitarão a morte de um ente querido. Para isso, os pais devem introduzir a noção de vida e morte com exemplos simples. A flor que nasce, murcha e morre, a formiga que foi pisada e morreu, o pássaro tão irrequieto e que uma manhã fomos encontrar morto na gaiola. No caso dos animais de estimação, como o peixe do aquário , por exemplo, podem junto com a criança, colocá-lo dentro de uma caixinha e enterrá-lo no jardim. Assim, a criança não só entenderá a morte como as cerimónias que esta acarreta. É uma forma simples de explicar este ciclo da vida e talvez, perante situações como estas do quotidiano, que a criança possa ter vivenciado, seja para ela mais fácil ultrapassar o trauma da morte de um ente querido. A criança vai construindo o conceito de morte juntamente com o desenvolvimento cognitivo, deste modo torna-se extremamente importante que conviva com pequenas situações que impliquem perda e que estas perdas sejam enfrentadas de forma saudável, com o objectivo de a ajudar a formar uma atitude também ela saudável perante as questões da vida e da morte. A maneira como os adultos reagem à morte de alguém que amam tem grande efeito na maneira como as crianças irão reagir. Às vezes, os adultos não querem falar sobre a morte, tentando proteger as crianças da dor e sofrimento. Contudo, a realidade é muito simples: as crianças sofrem da mesma maneira. Os adultos que estão dispostos a falar abertamente sobre a morte com as crianças, ajudam-nas a entender que o luto é um sentimento natural quando alguém que amamos morre. As crianças precisam dos adultos para terem a certeza de que é correcto estar triste e chorar e que a dor que estão a sentir não durará para sempre.

06 setembro 2011

Escolas sem serviço de psicologia!

Ainda não foi autorizada a abertura de vagas para a contratação destes profissionais.

Cerca de “300 escolas ou agrupamentos de escolas” iniciam a partir de quarta-feira o ano letivo sem serviço de psicologia, uma vez que ainda não foi autorizada a abertura de vagas para a contratação destes profissionais.

Em declarações prestadas hoje à Lusa, Daniela Gomes, do Movimento pró-ANPSE (Associação Nacional de Psicólogos Escolares), lamentou que, “tal como sucedeu no ano letivo anterior, este ano as escolas voltem a abrir sem o serviço de psicologia, estando estes profissionais no desemprego desde 31 de agosto, quando terminou o contrato anual de trabalho”.

“Voltamos à estaca zero. O ano passado só começámos a ser colocados a partir do final de novembro e este ano parece que vamos pelo mesmo caminho. Continuamos a aguardar pacientemente e na total incerteza que seja autorizada a abertura de vagas para o corrente ano letivo”, disse.

A Lusa solicitou esclarecimentos ao Ministério da Educação, mas até ao momento não obteve resposta.

Neste momento, segundo Daniela Gomes, “nem os agrupamentos TEIP (territórios educativos de intervenção prioritária) têm autorização para a abertura de processo concursal para colocação de psicólogos”.

“Apenas as escolas com Serviço de Psicologia e Orientação (SPO), ou seja, psicólogos de quadro (cujo último concurso a nível nacional remonta a 1997) terão assegurados os serviços de psicologia. Desta forma, mais uma vez, estamos a falar de milhares de crianças e jovens que veem negado um direito consagrado na Lei de Bases do SE e no estatuto do aluno”, sustentou.

A psicóloga considerou que está em causa o apoio ao desenvolvimento psicológico dos alunos e à sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psico-pedagógico às atividades educativas previsto na Lei de Bases do Sistema Educativo.

O movimento que está a criar uma associação de âmbito nacional reivindica a contratação profissional dos psicólogos pelo Ministério da Educação, vinculando-os de forma estável e possibilitando-lhes a entrada e progressão na carreira.

Nos últimos anos, os psicólogos têm sido contratados para desenvolvimento de projetos de combate ao insucesso escolar, por contratação de escola, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 35/2007, de 15 de fevereiro, e da Lei n.º 23/2004, de 22 de junho.

Lusa

06 de setembro de 2011

22 agosto 2011

Nova Ortografia...Pais preocupados!

Milhares de alunos vão começar a aprender uma nova ortografia do português, mas as associações de pais estão preocupadas com a possibilidade de, por causa da crise, o próximo ano ser "lectivo" para uns e "letivo" para outros.

O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAP), Albino Almeida, disse à agência Lusa que só no fim do primeiro período se verá que problemas existirão devido à forte possibilidade de existirem na mesma sala de aulas livros com grafias diferentes.

Mas admitida essa possibilidade, do lado dos docentes não parecem existir preocupações: "não antevejo grandes problemas, vamos entrar numa fase de adaptação, transitória, mas da parte das escolas houve um trabalho de preparação bem feito", disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Professores, João Grancho.

Albino Almeida prevê que "centenas ou milhares" de alunos façam o ano com manuais do ano passado, sem o novo acordo ortográfico, uma circunstância agravada pela crise económica.

"Vemos com preocupação a situação, sabemos que há muitas famílias a pedirem manuais emprestados. Este ano, cerca de 18 mil famílias deixaram de ser elegíveis para o apoio social", indicou.

O presidente da CONFAP acrescentou que há autarquias que costumavam subsidiar a compra dos manuais e que agora estão a dizer "comprem-nos e nós depois reembolsamos", mas que um investimento de centenas de euros em manuais está fora de questão para os rendimentos de muitas famílias.

A presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, admite que pode haver "algumas confusões" e que a coexistência de manuais diferentes na mesma sala de aula vai originar alguma preparação por parte dos professores.

"Tudo o que é novo implica reflexão, estudo e os professores vão ter que se preparar, vai ser complicado pôr toda a gente a escrever, mas não são assim tantas as alterações", acrescentou.

Edviges Ferreira referiu que "é evidente que os livros de grafias diferentes vão coexistir, mas os professores vão ter de chamar a atenção para a maneira correta de escrever" segundo o acordo.

O acordo estará em todos os livros adotados este ano para o 1.º e 2.º ano do primeiro ciclo do Ensino Básico.

Segundo uma das principais editoras do setor do livro escolar, a Porto Editora, a assimilação da nova maneira de escrever nos manuais "está a decorrer tal como foi definido, em 2010, pelo Ministério da Educação em articulação com a Comissão do Livro Escolar da APEL, num calendário que terminará no ano letivo de 2014/2015".

O responsável pela comunicação da Porto Editora, Paulo Gonçalves, indicou que a adoção faseada visa "minimizar os custos para as famílias, autarquias, livrarias, bibliotecas escolares e editoras, evitando desperdícios desnecessários".

No 4.º ano do Ensino Básico, os manuais de Matemática já deverão ter a nova ortografia, tal como todos os do 5.º - menos Educação Física, Educação Musical, Educação Visual e Tecnológica.

Quanto ao 6.º ano, os alunos já vão aprender em livros adaptados ao novo acordo em todas as cadeiras exceto as de Língua Portuguesa, Educação Física, Educação Musical e Educação Visual e Tecnológica.

Paulo Gonçalves lembrou que nas salas de aula, tal como nas bibliotecas, nas livrarias e em muitos outros sítios, continuarão a coexistir livros com a "antiga" e a "nova" ortografia", que poderão ser utilizados pelos professores e alunos.

Fonte:Lusa/educare.pt

10 agosto 2011

Entrada na Escola

Esta nova etapa é, tanto para as crianças como para os pais, um marco importante, é deste sucesso inicial que pode depender o êxito ou fracasso do seu percurso escolar e educativo.
Todo o confronto com um meio novo, cheio de regras e tarefas é algo que estando a criança preparada e confiante lhe trará muita satisfação. Aos pais e professores compete-lhes o papel de proporcionar à criança as melhores condições à sua adaptação de modo cooperativo, escola/família, para deste modo assegurarem que a criança ultrapasse da melhor forma os seus obstáculos. É fundamental os pais dedicarem atenção, compreensão e orientação à criança, tornando esta nova etapa o mais atractiva e aprazível possível, sem nunca desresponsabilizar a criança pela sua actuação na escola.

Os pais que tão bem conhecem os filhos, são as pessoas que melhor podem ajudar as crianças, juntamente com os professores que estarão em convívio diário com eles. 
Do bom começo na escola pode depender o sucesso da vida escolar da criança.
- converse com o seu filho, explique-lhe de modo agradável porque é que as crianças vão para a escola e o que lá acontece (aprendem coisas novas, brincam, cantam, passeiam, visitam novos locais);
- explique à criança o horário da escola e como será dividido o seu dia, deste modo a criança já sabe aquilo que lhe espera ao longo do dia;
- fale acerca das regras e tarefas e a importância de as cumprir;
- se a criança tiver um brinquedo ao qual dedica especial atenção deixe que o leve para a escola, enquanto não estiver perfeitamente adaptado, este objecto transmitir-lhe-à confiança.
As aprendizagens diversificadas fora da escola - seja a aquisição de hábitos e regras de comportamento seja a aquisição de conhecimentos que desenvolvam o raciocínio, o espírito de cooperação, de relação e de ajuda - contribuem para o sucesso educativo e o sucesso escolar da criança.
- a higiene, o descanso, a alimentação e o estado geral de saúde contribuem para o equilíbrio pessoal e são factores essenciais no desenvolvimento global da criança;
- o tempo de brincadeira facilita o desenvolvimento da imaginação, da cooperação e da partilha. brincar é uma forma muito importante de aprender;
- o diálogo com o adulto, ao fazer perguntas, contar histórias reais ou imaginárias, a criança vai aperfeiçoando e aumentando o seu vocabulário, vai desenvolvendo o espírito critico, o pensamento, a vida afectiva e de relação com as outras pessoas;
- a criança tem prazer em ouvir histórias, em ver e manusear livros e mesmo imaginar o que está escrito. o contacto com estes materiais facilita a aprendizagem da leitura e da escrita e desenvolve o gosto por ler e escrever;
- ao colaborar com os pais em tarefas domésticas, a criança não só desenvolve o espírito de cooperação, como adquire conhecimentos muito importantes para a sua vida escolar;
- é necessário que os pais acreditem nas capacidades dos filhos e lhes transmitam esses sentimentos, desta forma, contribuem para que as crianças sintam confiança em si próprias;
- na família a criança deve encontrar o seu lugar próprio e o lugar de cada um dos outros elementos, ao mesmo tempo que se estreitam os laços afectivos e se desenvolve o espírito de cooperação e de ajuda;
- a criança tem necessidade de ter um espaço seu e de aprender a respeitar o espaço dos outros (no seu quarto deve ter um espaço dedicado ao estudo e outro ao brincar).
Uma boa relação entre a escola e os pais é, muitas vezes, o segredo do êxito escolar da criança, da sua alegria e segurança.
Cada criança é diferente, o momento em que uma aprende uma coisa pode ser diferente do momento em que outra aprende a mesma coisa. esta situação não pode levar a dizer-se que uma é mais inteligente do que a outra, quer apenas dizer que têm ritmos diferentes de aprendizagem.

Os saberes e a experiência dos PAIS, associados ao amor e atenção que dedicam aos FILHOS, são as armas mais valiosas para os ajudar no seu processo de desenvolvimento.


Imagem: saudebeleza.org

30 junho 2011

Crianças em Férias!

As férias representam uma paragem da rotina, das obrigações e das responsabilidades.
Mas chegado o tempo de férias, o que fazer para ocupar o tempo dos filhos? E como fazer quando ainda estamos a trabalhar? E o que fazer se este ano se decidiu ficar em casa e não ir de viagem?

 Dicas:

- Em casa ou não, o que importa é que as férias do seu filho sejam especiais para ele. Essa é também, para os pais, uma época boa para ficar mais perto dos filhos, descobrirem novas maneiras de se divertirem juntos e que o dia-a-dia muitas vezes não permite;

- Nem sempre se pode contar com a ajuda da avó ou da tia, nas alturas em que as crianças já estão de férias mas os pais ainda estão a trabalhar. Nestas situações, o ideal é procurar actividades fora de casa, como as colónias de férias, os centros de tempos livres (ATL), as idas à praia pela escola ou pela junta de freguesia. É tudo uma questão de ver as possibilidades existentes na zona de residência;

- Se este ano decidiu ficar por casa e não ir de viagem para qualquer local do país ou do estrangeiro, há muita coisa que pode fazer para entreter os seus filhos. Há muitos jogos que podem ser feitos, desenhos, brinquedos. Não se esqueça de os levar ao cinema, teatro e a museus (programas culturais). Passeios de bicicleta e idas à praia e à piscina também são óptimas ideias;

- Desafie os seus filhos a prepararem um bolo juntos. E porque não fazerem um piquenique em família? E que tal organizar um lanchinho com os amigos dos seus filhos? Convide alguns pais que a possam ajudar e pensem em várias actividades para os entreterem (jogos de mesa, karaoke);

- Escolha um dia para limparem e lavarem os brinquedos. Escolham os que eles já não utilizam, mas que ainda estão em bom estado e vão juntos entregá-los a uma instituição de crianças;

- Leve-os a uma livraria com espaço dedicado às crianças e passem por lá algum tempo. Não se esqueça de como é importante incutir bons hábitos de leitura nos mais pequenos. Há também locais com contadores de histórias. Informe-se onde e em que dias e leve-os até lá.

O fundamental é que dedique tempo aos seus filhos, que faça das férias deles um tempo fantástico e proveitoso, cheio de diversão e alegria, será benéfico para o bem estar de toda a família.


fonte: http://www.ruadireita.com

08 junho 2011

Linguagem entre Pais e Filhos

O que é a linguagem? A linguagem é o primeiro sistema de sinais que o bebé usa para se relacionar com o seu meio e para desenvolver aprendizagens. Desde cedo, a criança aprende a identificar os sons e o seu significado, inclusive a distinguir o tom com que se dirigem a ela. Deste modo, o bebé sabe se os pais estão zangados ou se demonstram afecto e carinho.

A aprendizagem da linguagem é um passo prévio e indispensável para a aprendizagem da leitura e escrita, sendo uma das formas de tomar consciência de tudo aquilo que nos rodeia. Além da linguagem, também se utilizam outros mecanismos de manifestação que permitem contacto com os pares: os gestos, os olhares, a expressão do rosto...estes elementos manifestam-se através de atitudes, sentimentos, predisposições e motivações que permitem uma comunicação interpessoal transcendente, sendo fundamental que estejam em sintonia.

Linguagem verbal e não-verbal/gestual
As  sensações que chegam às crianças através dos neurónios, ainda  na barriga da mãe, são essenciais. Desde os primeiros momentos de vida, o bebé capta a intensidade do afecto, da segurança que  lhe é transmitida através de pequenos gestos, avaliando assim o adulto quando este interage consigo.
Neste sentido, é muito importante os pais terem em atenção o modo como falam com os filhos e os sinais que lhes transmitem, nunca esquecendo que os filhos através desse modo de comunicar efectuam diversas aprendizagens, não só linguísticas como sociais e emocionais.

A linguagem é social, e está limitada pelos conhecimentos de cada um. Os símbolos são pessoais e inesgotáveis. A  possibilidadede de combinar ambas as linguagens (verbal e gestual) transfere à comunicação um papel primordial no relacionamento e contacto com os outros.


Adaptado : guiainfantil.com

11 maio 2011

Perfil de Bons Pais

Respeite os seus filhos
Aos filhos é devido o reconhecimento de uma personalidade própria. Respeitar-nos-ão mais se mostrarmos saber aceitar também o seu modo de ser naquilo que não nos agrada.
Respeite-se a si próprio
Um pai que se sacrifica a si próprio e não escuta os próprios desejos habitua os filhos a não ter limites e torna-os egocêntricos.
Dê ternura
As expressões de afecto (sorrisos, abraços, mimos) são importantes para dar aos filhos segurança sobre o seu próprio lugar na família e no mundo.
Estabeleça regras
As crianças, os adolescentes, têm necessidade de limites, de regras, que representam uma base de partida para dar sentido ao mundo que nos rodeia.
Construa o diálogo
É bom comunicar com os filhos, dando atenção à própria capacidade de escutar e de enfrentar os conflitos.
Valorize os seus filhos
Reforça a auto-estima dos filhos e dá-lhes força interior para enfrentar a vida.
Não seja demasiado permissivo
É preciso dar aos filhos liberdade de expressão, mas dentro de limites e de regras claras.
Não use violência física ou verbal
Cada gesto violento, ainda que apenas verbalmente, apaga a possibilidade de uma verdadeira relação afectiva e cria personalidades violentas ou tímidas e incapazes de se exprimir.
Conduza os seus filhos ao crescimento
Protecção, acompanhamento e alegria em pequeninos; autonomia cada vez maior e crescente responsabilização, à medida que forem crescendo.
Passe mais tempo com os seus filhos
Os pais devem “perder” mais tempo com os filhos. A frase é muito popular e de compreensão imediata. A ideia pode ser uma resposta, em tempo real, ao vazio das nossas famílias, à dificuldade dos pais em conversar com os seus filhos, à frágil e enfraquecida sociedade mais preocupada com a marca das sapatilhas dos seus filhos do que com a sua consciência.


Fonte:http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com
Imagem: dicasdiarias.com

Como estragar um Filho - 10 maneiras

1. Ande com um ar deprimido;
2. Transforme a família numa caixa cheia de solidões;
3. Coloque a família sempre depois do trabalho;
4. Superproteja-o;
5. Deixe-o colado à televisão toda a tarde;
6. Recorde as "más maneiras",
7. Encha-o de lambices;
8. Tem que ser o mais bonito de todos;
9. Venda-o ao êxito desde pequenino;
10. Faça-lhe crer que a vida é um paraíso.



Os verdadeiros educadores jogam sobretudo a carta da prevenção e não a do alarmismo, este é um alerta a pais que por vezes só se dão conta de erros cometidos constantemente depois dos seus filhos crescerem.


Fonte:http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com
Imagem:cotidianourbano.wordpress.com

06 maio 2011

Relação Pedagógica centrada no Aluno

A relação pedagógica é o contacto interpessoal que se gera entre os intervenientes de uma situação pedagógica e os resultados desses mesmos contactos entre eles. Num sentido lato, a relação pedagógica abrange todos os intervenientes directos e indirectos do processo pedagógico, desde professores a auxiliares, e seu impacto no desempenho escolar dos alunos. Qualquer que seja a temática a abordar relativamente à actividade escolar, vem sempre ao pensamento o papel a desempenhar pelos professores. Inicialmente o professor era essencialmente o transmissor do saber e o aluno deveria ser o receptor humilde e obediente, dado o estatuto de inferioridade etária e cultural. Hoje em dia, a escola deixou de ter apenas a função de transmitir saber e passou a incentivar a criação/recriação do saber. O professor tornou-se o organizador da aprendizagem e o estimulador do desenvolvimento cognitivo e socioafectivo do aluno. 
A escola surge assim como instituição criada para a transmissão intencional do saber considerado socialmente útil, a sua primeira função é naturalmente uma função de transmissão cultural.
A busca do sucesso na relação pedagógica assenta na tentativa de responder às necessidades individuais de todos e cada um dos alunos. As necessidades individuais podem ser relativas: a determinada faixa etária, a determinado contexto e necessidades próprias do aluno. Também as motivações e necessidades sentidas pelo aluno devem ser consideradas pelo professor, pois, dificuldades na relação pedagógica prendem-se com a discrepância entre as motivações e necessidades. O professor deve tentar caracterizar a motivação dos seus alunos de forma a tentar integrá-la nas tarefas de aprendizagem e escolher de forma adequada as opções didáctico-pedagógicas. Também em situação de aprendizagem a auto-estima do aluno pode ficar comprometida, caso seja experiênciada de forma negativa, assim, o erro deve ser entendido pelo professor como promotor de sucesso.
Sendo assim, parece importante considerar a comunicação, as expectativas e as representações pois estas têm um papel importante na gestão dos processos educativos.
Na relação pedagógica o destinatário é essencialmente o aluno, mas, não deixa de ser importante que o adulto, o professor, se assuma como um ser em construção.
Além disso, não sabendo tudo, ele é, quem na sala de aula, mais sabe. É assim que os seus alunos o vêem e é no confronto com o seu saber que eles se formam.
Há muitos alunos pré-etiquetados negativamente (como também positivamente), dada a sua proveniência social, a cor da pele, etc. Estes preconceitos sociais podem ser agravados pelos professores, quando consideram tais alunos, como tendo menos capacidades. Deste modo, os professores tenderão a solicitar mais vezes os bons alunos e a reprimir os que consideram maus alunos. A forma como a turma é gerida tem uma relação forte com a disciplina e a indisciplina, sendo esta última, uma das maiores preocupações do professor. Se a moral e a produtividade do grupo dependem do interesse suscitado pela prossecução dos fins estipulados, a inadequação dos fins propostos ou a falta de motivação dos alunos pode levar a atitudes de agressividade contra os colegas e professores. Neste sentido, actos de indisciplina são comportamentos não coincidentes com as regras consideradas necessárias ao eficaz desenvolvimento de situações escolares, regras essas definidas pela própria instituição e também pelo professor que, “ nas suas aulas”, usa frequentemente o poder de exigir os comportamentos e atitudes necessários ao seu desempenho profissional e de determinar quais deles podem ser qualificados de indisciplinados.
Relativamente às causas da indisciplina, não existe consenso, daí ser um conceito subjectivo, no entanto, apontam-se como possíveis causas o disfuncionamento familiar, a falta de valores por parte o aluno, a falta de perspectivas para o futuro, o mau relacionamento com os professores e a comunicação social. Daí a importância da adequação do currículo às necessidades e interesses dos alunos, da planificação cuidada, da variação dos estímulos e dos projectos motivadores capazes de suscitarem entusiasmo e de canalizarem a energia do grupo para a produção de trabalho e para a realização de níveis elevados de aspiração.
Por fim o meio familiar, assume um estatuto de óbvia importância para o sucesso dos alunos, sendo importante considerar o conjunto de representações e expectativas dos pais face ao aluno, face à escola e à relação escola - meio familiar. A relação do meio escolar com o meio familiar constitui um factor potenciador do sucesso ou não da relação pedagógica. É importante que as crianças sintam que os pais se interessam em contactar a escola regularmente e não só quando algo corre menos bem, isto pode ser factor promotor de motivação e sucesso. A comunicação com os pais deve: iniciar-se o mais cedo possível, ser regular, deve ser assente numa atitude positiva, ou seja, que valorize mais as competências do que os insucessos e deve evitar a utilização da linguagem técnica da escola.
A capacidade de se conseguir responder com sucesso às diferentes necessidades de diferentes indivíduos, oriundos de diferentes contextos e famílias através de diferentes professores e com diferentes procedimentos será, o maior e eterno desafio de um sistema educativo. No entanto, e sem pessimismo, tememos por vezes que, como alguém dizia, diferenciação em pedagogia seja algo de que todos falam, alguns sabem o que é, poucos praticam!!!

19 abril 2011

Desenvolvimento Infantil - Importância da Estimulação

O modo como a criança desenvolve a sua pessoa, ou seja, como se organiza e como elabora as acções e trocas com o meio que a rodeia, está dependente de dois aspectos, potecialidades e processos predeterminados. As potencialidades, ou seja, o conjunto das capacidades que se revelam através das interacções e inter-relações do sujeito com o seu ambiente, e os processos predeterminados, que estão imediatamente operacionais, tal como, a sucção, porém outros, como a preensão, estão programados no seu desenvolvimento temporal. Estes dois aspectos encontram-se interligados, visto que a expressão das potencialidades depende do modo como se vão desenvolver os processos que permitem que a criança aja sobre o meio.
Todo o desenvolvimento a que a criança se vai submeter irá se exprimir num ambiente particular, o da família. Neste sentido, tudo aquilo que se vai suceder está de certa forma dependente do contexto familiar. Portanto, a qualidade das relações que a criança experimenta neste ambiente adquirem uma importância notável. São estas relações que serviram como modelo das posteriores aprendizagens da criança. 
A primeira infância é das fases mais críticas e vulneráveis no desenvolvimento de qualquer criança, é nesta altura que se estabelecem as bases para o desenvolvimento intelectual, emocional e moral.           
Por volta dos 4 anos a criança encontra-se no pré-escolar, é aqui que a criança desenvolve desde o vocabulário, à coordenação, pensamento intelectual e capacidades de relacionamento. O treino da motricidade fina é fundamental, pois é a aquisição de habilidades motoras que promovem a exploração tanto do espaço como dos objectos, proporcionando à criança aprender as características dos objectos e as suas relações com o ambiente. Esta motricidade é fundamental para o desenvolvimento de aprendizagens como a escrita, destreza manual, entre outras. É esperado que a criança com esta idade já consiga desenhar uma cruz, virar as páginas de um livro e segurar correctamente num lápis.
A nível cognitivo, nesta idade, a criança através do uso simbólico da linguagem e da resolução intuitiva de problemas, começa a compreender a classificação dos objectos, apesar disso o pensamento da criança é caracterizado pelo egocentrismo, a criança centra-se num único aspecto de uma tarefa, não conseguindo operacionalizar através da compensação ou reversibilidade.  
Quanto à linguagem, esta é agora capaz de acompanhar as ideias mais complexas, conduzindo a novas ideias. Nesta idade a criança ainda está a aperfeiçoar os vários sistemas linguísticos, tais como os pronomes, os verbos auxiliares e irregulares e a voz passiva, ainda comete alguns erros lógicos como “Aquele é o mais melhor”, de qualquer modo a criança ao iniciar a sua vida escolar, a utilização da linguagem é de forma geral correcta e os tipos básicos de frases que usa são de um modo global semelhantes aos dos adultos.
A percepção visual, capacidade de cada indivíduo em captar os pormenores visuais, é importante não só para as crianças como para todos, abarca não só a habilidade visual como também a memória, raciocínio, atenção, estratégia de resolução de problemas e conceitos específicos, assim facilita o processo de interacção do indivíduo com o seu meio e contribui significativamente para uma compreensão mais concreta do que o rodeia. 
Outra área de grande relevância em todo este processo de desenvolvimento é a socialização e a autonomia. É nesta idade que a criança começa a desenvolver a competência social e as suas relações mais fortes de interacção com os pares, deixa de ocorrer a chamada brincadeira paralela, em que se encontram lado a lado com outra criança a brincar com os mesmo materiais, mas não interagem. Deste modo, começam a criar relações de amizade, ou seja, começam a interagir e a criar uma associação íntima com o outro. O desenvolvimento da competência social nestas idades é bastante relevante, fornece suporte e autoconfiança à criança.
No que diz respeito ao processo de autonomia, este desenvolve-se em estreita união não só com o contexto familiar, sendo este o primordial, como também com o contexto social constituído por diversos indivíduos e pela estrutura social alargada em que a criança cresce.
À medida que as crianças vão crescendo estas passam por diversos estádios de desenvolvimento. Cada um deles dá à criança os fundamentos da inteligência, da moral, da saúde emocional e das competências escolares. Para cada estádio são necessários determinados requisitos e experiências, isto para que a criança consiga aprender e se desenvolver, deste modo são imprescindíveis as interacções que a criança estabelece ao longo destes estádios.
A criança na idade pré-escolar necessita de uma variedade de experiências que se mostram essenciais para sustentar o seu desenvolvimento. Cada criança adquire as suas experiências de acordo com o seu ritmo de aprendizagem e desenvolvimento, neste sentido não é aconselhável nem desejável apressar a criança para determinadas aquisições. Além disto, devemos ter em consideração que dentro do próprio desenvolvimento de cada criança as suas competências motoras, cognitivas, emocionais, sociais e de linguagem, se podem desenvolver em ritmos diferentes. Deste modo devemos não apressar mas sim ajudar a criança a ultrapassar as dificuldades e promover um crescimento e desenvolvimento saudáveis.
Disciplinar as crianças é essencial, isto para que elas se sintam confiantes na sua motivação própria. À medida que a criança cresce, ela reconheça o que faz mal, as consequências desses actos praticados e o modo de os reparar. Neste sentido, torna-se relevante o papel da auto-estima, uma criança disciplinada tem uma maior noção do seu papel. A criança que acredita em si própria enfrenta melhor os seus erros e as suas fraquezas.

    É essencial  reforçar a autonomia e independência para que desse modo a criança se desenvolva e cresça ao seu ritmo, contudo de maneira saudável.

Imagem: sfsites.blogspot.com
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14 abril 2011

Crianças difíceis vs Cérebros diferentes

Um novo estudo publicado no American Journal of Psychiatry mostra que os adolescentes que sofrem de transtorno de conduta apresentam uma estrutura cerebral diferente, que pode estar associada aos seus problemas de comportamento. O transtorno de conduta é uma doença psiquiátrica caracterizada por aumento de comportamento agressivo e anti-social. Esta doença pode desenvolver-se na infância ou na adolescência e os afectados estão sob maior risco de desenvolverem problemas de saúde mental e física na idade adulta.
Para este estudo, os neurocientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, contaram com a participação de 65 rapazes adolescentes com transtorno de conduta e 27 rapazes adolescentes sem sintomas deste distúrbio de comportamento. Todos eles foram submetidos a uma ressonância magnética para medir o tamanho de determinadas regiões específicas do cérebro.
O estudo revelou que a amígdala e a ínsula — regiões do cérebro que contribuem para a percepção da emoção, empatia e reconhecimento de quando outras pessoas estão em perigo — eram muito menores nos adolescentes que apresentavam comportamento anti-social, em comparação com os adolescentes que não apresentavam este desvio de comportamento. Estas alterações estavam presentes nos transtornos de conduta com início na infância e na adolescência. Além disso, verificou-se também que quanto mais graves eram os problemas de comportamento, menor era o volume da ínsula.
Um menor volume das estruturas do cérebro envolvidas no comportamento emocional tem sido associado ao aparecimento do transtorno de conduta na infância. Alguns investigadores defendiam que a manifestação do transtorno de conduta com início na adolescência era causada apenas pela imitação do mau comportamento de outras pessoas. Contudo, os resultados agora divulgados não apoiam esta teoria e sugerem que existe uma base neurológica para estas doenças, quer elas tenham início na infância ou na adolescência.
O líder do estudo, Ian Goodyer, revelou em comunicado de imprensa que as «alterações no volume de substância cinzenta nestas áreas do cérebro poderiam explicar por que é que os adolescentes com transtorno de conduta têm dificuldades em reconhecer as emoções nos outros. São necessários mais estudos para investigar se estas mudanças na estrutura do cérebro são uma causa ou uma consequência da desordem». «Esperamos que nossos resultados possam contribuir para estratégias psicossociais que permitam a detecção de crianças com alto risco de desenvolverem comportamentos anti-sociais», acrescentou ainda o investigador.

Fonte: http://www.paisefilhos.pt 

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11 abril 2011

"Sê a mudança que desejas ver no mundo"



 AMAR, EDUCAR, DESEJAR, ACREDITAR...aquilo que ambicionamos para os nossos filhos, a força que nos move na vontade de um Mundo melhor. Não basta querer, é preciso que haja mudança, essa mudança está em cada um de nós, sem esperar pelo amanhã, mas sim fazendo a diferença já hoje.


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A importância do Brincar


O Brincar é um importante instrumento de desenvolvimento para a criança, constitui uma fonte de descoberta onde as crianças experimentam através da imaginação diversos comportamentos e emoções.Brincar nunca é de mais, quanto mais e melhor brincam,  melhor se conhecem a si próprias.

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08 abril 2011

Motivação

A Motivação é considerada uma das componentes mais importantes da aprendizagem e realização. Para os pais este é um tema  imprescindível, pois na infância as crianças movem-se essencialmente por aquilo que as motiva. Deste modo, o segredo está em conseguir conciliar o desenvolvimento da motivação intrínseca/interior da criança  com o apoio da motivação extrínseca/externa (avaliação dos adultos, elogios, incentivos). Para isto, a participação e interesse dos pais/educadores é fundamental, além do factor emocional (afectos) que deve estar sempre presente, uma vez que é fonte de motivação.
A motivação deve receber especial atenção e ser mais ponderada pelas pessoas que apresentam maior vínculo com a criança, neste sentido não só estas têm uma maior influência como também um maior conhecimento da criança, conseguindo-se assim melhores desempenhos naquilo que é pretendido. Na criança a motivação é maior quanto maior o reconhecimento e maiores as conquistas alcançadas. A motivação é um alento para a aprendizagem, a socialização, os afectos, a participação, a conquista, a defesa, é algo essencial para atingirmos objectivos e superarmos obstáculos. Pais, educadores e especialistas que lidam com crianças devem reconhecer que a construção motivacional na infância, tal como a autopercepção e o hábito de desenvolver a motivação intrínseca, é fundamental para a criança aprender a gerar motivação em si,  o que consequentemente no futuro irá reduzir a necessidade de procurar motivação extrínseca para alcançar desempenhos desejados.

Gerar motivação:
- Incentivar, dependendo da tarefa, atenção ao fazê-lo antes ou depois;
- Dar responsabilidades, enquadrar as crianças nas tarefas da família;
- Estabelecer metas claras e realistas, ser especifíco naquilo que se espera da criança;
- Envolver, informar daquilo que se irá fazer, explicar e conversar antecipadamente.

Motivar para o sucesso pressupõe interesse, investimento,
disponibilidade, vontade, competência e envolvimento.


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31 março 2011

A Vinculação

Vinculação é a ligação da criança a um indivíduo como resultado da activação de um sistema comportamental (comportamentos vinculativos como chorar, sorrir, palrar, chamar, aproximar) que tem como objectivo a manutenção da proximidade. O papel nas relações precoces pais-criança e as suas consequências no auto-conceito da criança irá se reflectir ao longo da vida ao nível emocional, comportamental e físico, e deste modo determinar muitos dos episódios na adolescência.

Tipos de Vinculação: 
Vinculações seguras (maioria dos bebés_50 a 75%).
As mães de crianças seguras detectam os seus sinais e reagem-lhes pronta e adequadamente. Estão permanentemente disponíveis e são carinhosas e cooperantes.
Vinculações inseguras evitantes (um quinto a um terço_15 a 25%). As mães de crianças inseguras evitantes não estão sintonizadas com os sinais vitais das crianças e por isso não mostram disponibilidade, sendo negligentes. O seu estilo interactivo pauta-se pela insensibilidade e pela rejeição.
Vinculações inseguras ambivalentes ou inseguras resistentes (uma minoria_10% ou menos). As mães de crianças inseguras ambivalentes são, sobretudo, inconsistentes nas suas respostas
O factor proximal “cuidados parentais”, inadequados no mau-trato, são a variável determinante da vinculação insegura e actuam como mediadores de outras variáveis de risco como a monoparentalidade, idade jovem das mães e doença mental pais.
O padrão de vinculação resulta da história relacional sendo diferente de acordo com as figuras (pai, mãe, ama, educadora).
Existem acontecimentos que influenciam a consistência da vinculação, tais como, perdas ou separações prolongadas da figura de vínculo. Acontecimentos com efeitos duradouros ou periódicos: regresso da mãe ao trabalho; prestação regular de cuidados por outras figuras e mudanças na família, mudança de casa.

A vinculação é assim um laço fundamental, é essencial desenvolvê-la e promovê-la para o bem estar e segurança da criança.


Referência: Profª. Drª. Maria Filomena Gaspar
                flickr.com

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30 março 2011

Prontos a Ajudar

Estamos ao seu dispor. Esclareça as suas dúvidas, divida as suas preocupações e conte com o nosso apoio psicológico para o informar e acompanhar. A sua ajuda aqui ou à distância de um click  caapsi@sapo.pt

Explicação sobre a medicação_PHDA


Muitas são as pessoas que tem a ideia pré-concebida de que a medicação se destina a tornar mais fácil a vida de quem lida com crianças hiperactivas (PHDA). Tal não é verdade, as crianças com défice de atenção sofrem consequências extremamente sérias, e privá-las de um tratamento eficaz é tão grave quanto medicar em excesso. Deve-se ver a medicação como parceira de outras intervenções, nomeadamente psicológicas e comportamentais, que se tornam mais eficazes em crianças correctamente medicadas.

29 março 2011

Adopção

Muitos são os casais que desesperam a tentar ter um filho, na maioria das vezes os anos passam e como última opção pensam na adopção. São imensas as dúvidas e pensamentos que percorrem os pais, mas o mais importante é o desejo de dar amor, e construir uma família. Apesar de um processo moroso é um processo de grande impacto e responsabilidade emocional.
Adoptar é receber nos nossos braços um ser humano que existe, um ser humano que já viveu e que muitas vezes tem opiniões e maus hábitos. Adoptar  é receber em casa um "estranho" que não  diz nada e que de um dia para o outro veio para ficar.                                                                                       
 Na maioria dos casos, os pais adoptantes criam expectativas, sonham com esse filho que tanto desejam, idealizam pessoas e situações, e nem sempre as coisas correm como as idealizaram. Não podemos esquecer que estamos a falar de crianças com histórias de vida, marcadas muito antes de conhecerem os pais adoptantes. Por isso, adoptar tem que vir do coração, tem de haver predisposição para grandes mudanças.
Dados da Segurança Social indicam que, nos últimos 3 anos, mais de 70 crianças acolhidas por famílias foram devolvidas, casos preocupantes, os próprios pais adoptantes tem de se consciencializar na pré-adopção da disponibilização e dedicação que precisam oferecer à criança. 
É natural que apareçam sentimentos de insegurança, de abandono, de inadequação, de raiva, de desconfiança, enfim, a eclosão de sentimentos diversos faz parte de todo o processo. No entanto, a família como um todo, precisa ter paciência e habilidade para lidar com a situação, sem que a criança sinta-se desprotegida, abandonada e inadequada.

Referência: http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt/ViadeoShare

23 março 2011

Lateralidade

A lateralidade é a predominância motora de um dos lados do nosso corpo, é determinada por volta dos 6 anos e comandada pelo cérebro.
Cada um dos dois lados do cérebro controla os movimentos da parte oposta do corpo,ou seja, hemisfério direito/lado esquerdo e hemisfério esquerdo/lado direito. Neste sentido, nos destros o hemisfério dominante é o esquerdo, enquanto nos canhotos é o direito.

Deste modo, as crianças submetem-se  a um processo de organização da sua psicomotricidade, isto é, de autocontrole muscular – actividades escritas, visuais e motoras - para sintonizar estas predilecções. As pessoas com problemas nesta área podem apresentar distúrbios de aprendizagem, segundo pesquisas realizadas por especialistas.
O domínio da lateralidade faz parte de um complexo conjunto de habilidades que envolvem o esquema corporal, a orientação espaço-temporal e as percepções. A lateralidade, sendo inata,  é reveladora da preferência por uma das mãos, por um dos pés e por um dos olhos, instalando-se progressivamente. A dominância de uma das mãos começa a surgir no fim do primeiro ano de vida, mas só  se definie em torno dos 5 anos e cada criança desenvolve-a num ritmo próprio.
Apesar de vivermos num mundo de destros, o canhoto tem vantagens. Uma pesquisa recente sugere que ele pode ter mais facilidade para memorizar coisas. Isso porque, no canhoto, os dois hemisférios cerebrais comunicam-se melhor, pois o feixe de fibras nervosas que os conecta é maior. Além disso, como a dominância é exercida pelo hemisfério direito do cérebro não é tão poderosa quanto a do lado esquerdo, o canhoto tem mais facilidade para ser ambidestro. Ou seja, muitos dos canhotos também têm pleno domínio do uso da mão direita.
Quando há dominância direita ou esquerda, não ocorre nenhuma perturbação no esquema corporal, mas quando a lateralidade é cruzada, os distúrbios psicomotores são evidentes e resultam em deformação no esquema corporal.

A lateralidade cruzada pode apresentar :
• mão direita dominante versus olho esquerdo dominante;
• mão direita dominante versus pé esquerdo dominante;
• mão esquerda dominante versus olho direito dominante;
• mão esquerda dominante versus pé direito dominante.

As crianças com lateralidade cruzada podem apresentar os seguintes problemas:
• alto índice de fadiga;
• coordenação motora pobre;
• atenção instável, intranquilidade;
• problemas de linguagem, especialmente as dislalias (dificuldade em articular as palavras), linguagem enrolada e rápida;
• distúrbios do sono;
• escrita repassada, espelhada e de cabeça para baixo ou ilegível
(apresenta omissões de letras ou sílabas e lentidão);
• leitura comprometida.

Vários autores argumentam que a não preferência manual pode levar a problemas de dominância hemisférica, a que se juntam problemas de linguagem com desordens posteriores das funções simbólicas, como afasia(linguagem),a agnosia(conhecimento) e a apraxia(construção e realização).

A lateralidade nunca deve ser reprimida,uma vez que isso pode ocasionar problemas para a criança.



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21 março 2011

O coração e a razão!

A importância do coração na linguagem emocional não é apenas uma imagem, o coração vê e sente, e quando se exprime, influencia a fisiologia do nosso organismo, a começar pelo cérebro.
O ideal certamente seria  se existisse um medicamento capaz de harmonizar esta relação intima entre o coração e o nosso cérebro, o que daria efeitos altamente benéficos em todo o nosso organismo. Atrasaria o envelhecimento, reduziria o stress e o cansaço, afogava a ansiedade e manternos-ia ao abrigo da depressão, tudo em nós funcionaria melhor, este equilíbrio  iria nos permitir um bem-estar pleno.
Infelizmente este milagroso medicamento não existe, e posto isto, só nos resta a utilização do método de intervenção já existente, o nosso domínio sobre essa relação, coração-cérebro.
A relação entre o cérebro emocional e o "pequeno cérebro" do coração é uma das chaves da inteligência emocional. Ao aprendermos a dominar/controlar o nosso coração, aprendemos a domesticar o nosso cérebro emocional, e vice-versa. Apesar da relação mais forte entre o coração e o cérebro emocional  ser aquela que é estabelecida pelo chamado "sistema nervoso periférico autónomo", ou seja, a parte do sistema nervoso que regula o funcionamento de todos os nossos órgãos, a qual escapa tanto à nossa vontade como à nossa consciência, é possível aprendermos a gerir toda esta relação.
Todos os sintomas que advém de situações desagradaveis e desgastadoras, temos tipicamente tendência para nos focarmos nas condiçoes exteriores, e dizemos "se pudesse alterar a situação sentir-me-ia melhor... quando mudar de emprego será melhor... quando terminar o curso, quando me separar... quando os filhos sairem de casa.." transpomos tudo para quando... na verdade raramente isto se processa desta forma, e os problemas mantém-se, nem que sejam adormecidos. 
A solução do problema e a gestão do impacto dele está somente em nós, neste sentido, é preciso pegarmos no problema em vez de tentarmos arranjar circunstâncias exteriores ideais à sua solução, temos de começar por controlar o nosso interior, aprender a olhar para dentro de nós domesticando e organizando o nosso interior com um entendimento coerente e se possível com muita tranquilidade.


Fonte: David Servan-Schreiber



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03 março 2011

A criança e a Rotina

A rotina diária para as crianças é algo fundamental, é através dessa rotina que a estrutura psíquica e física da criança se organiza. Sendo o tempo para a criança algo complexo, é através das suas rotinas que a criança antecipa o que irá acontecer e adapta o seu comportamento à tarefa seguinte. As rotinas transmitem segurança à criança, deste modo a criança já sabe que no fim da escola a mãe a irá buscar, ou antes de jantar deve tomar banho, as principais rotinas que se devem manter com as crianças são: horas de refeição; hora de deitar; hora de estudar; hora de brincar e tempos em família.

 História
-Esperem por mim! Esperem… – Gritava o Bruno. O Bruno estava sempre atrasado; tinha sido assim desde o início e já todos sabiam. Na verdade já todos estavam habituados. 
O Bruno chegava depois da hora de entrada na escola, chegava atrasado ao almoço, chegava tarde às brincadeiras. Os amigos ainda tentavam ajudar o Bruno: combinavam às cinco da tarde e diziam-lhe às quatro, combinavam às cinco da tarde e chegavam às seis, mas nada dava resultado. Tinham sempre que esperar pelo Bruno.
É claro que o Bruno também perdia muito por chegar atrasado. No futebol, já todos tinham sido escolhidos e ele ficava com o último lugar (aquele que ninguém queria), nas festas já todos tinham comido os seus doces preferidos (e ele nem os chegava a provar) …
Ora o Bruno também não estava contente com a situação; afinal, ele ficava sempre com aquilo que os outros não queriam. 
Ninguém estava contente com a situação. Mas o Bruno também não a sabia resolver.
Um dia, na biblioteca, o Bruno viu um livro que tinha na capa um desenho de uma menina, um grande relógio e um coelho a correr. Ficou curioso e quando abriu o livro viu que o coelho se queixava muito de chegar sempre atrasado e corria muito para chegar a horas, mas por mais que corresse, nunca chegava à hora combinada.
Quer dizer, a história não era sobre o coelho, era sobre a menina e a grande aventura que viveu quando conheceu o coelho; mas o Bruno levou o livro para casa e ficou a ler a tarde toda. Estava tão distraído que nem ouviu a mãe a chamá-lo para jantar. E quando foi para a mesa, levou o livro com ele.
Os pais, curiosos para saberem o que estava a distrair o Bruno de tal modo que ele não queria deixar o livro pousado para poder comer, perguntaram-lhe o que se passava. E o Bruno contou; estava triste por ser sempre o último a chegar. 
“Bem, então vamos resolver isso”, responderam os pais. Compraram-lhe um relógio que tinha um alarme e tocava sempre que fossem horas importantes: horas de ir para a escola, horas de ir brincar, horas de ir almoçar, … O relógio tocava e o Bruno já sabia o que tinha que fazer. 
A partir desse dia, o Bruno era sempre o primeiro a chegar.
Bem, por vezes era o segundo ou o terceiro, mas já não era o último e ninguém tinha de esperar por ele.

Fonte da História: http://www.manualdacrianca.net



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22 fevereiro 2011

Comunicação Emocional

É certamente para todos nós importante comunicar de modo eficaz e passar da melhor maneira a mensagem pretendida sem alienar o destinatário e sem violência, uma comunicação que inspire respeito e retribua um efeito positivo e construtivo.
Consequentemente, não existe melhor forma de resolver desavenças senão de modo inteligente, e sem dúvida a violência não é um deles. A gestão dos conflitos torna-se indispensável independentemente do meio (escolas, empresas).
O primeiro passo é ser o mais objectivo possível, pois quanto mais objectivo se é, mais aquilo que se está a transmitir é entendido como uma tentativa de comunicação e não como um ataque ou crítica.  O ponto crucial da comunicação emocional está no segundo passo, ou seja, evitar fazer qualquer juízo acerca do outro e concentrar-se naquilo que se sente, ao falar daquilo que se sente não há quem possa discutir, aquilo que se sente pertence a cada um de nós e não deve ser posto em causa por ninguém, deste modo o esforço consiste  em descrever ou expor a situação começando as frases com "eu" em vez de "tu", refere-se a si e àquilo que o afectou, sem ter necessariamente de atacar o outro, sendo verdadeiro e aberto em relação à sua posição acerca da situação em causa.
Existem três modos para lidar com situações desagradáveis ou de conflito, PASSIVIDADE, AGRESSIVIDADE ou ASSERTIVIDADE. A última sem dúvida é a escolha melhor, mas nem sempre a possível, existem circunstâncias em que realmente a passividade e agressividade são a opção, pois as situações podem nem merecer tempo de atenção ou serem urgentes e de perigo onde a agressividade é automática. De qualquer modo é só a nós que compete a escolha, sendo a nós que compete aceitar ou não o desafio emocional.
O resumo de uma abordagem assertiva  e não violenta, que dá hipótese de se obter  aquilo que se deseja é dirigida pelas seguintes siglas "O.L.A.-C.E.E.".
- Origem, devemos nos dirigir sempre à pessoa em causa, aquela  que constitui a origem do problema e contém o necessário para o resolver;
- Lugar, devemos escolher o momento e local mais adequado, de maneira a que se possa falar calmamente e com disponibilidade;
- Abordagem Amigável, começar por focar a atenção da pessoa e neste sentido nada melhor do que começar a abordagem pelo nome da pessoa em causa;
- Comportamento Objectivo, focar-se no comportamento que motivou e originou a situação sem fazer qualquer juízo de valor;
- Emoção, após a descrição dos factos deve-se expor a emoção sentida, é muito mais forte e eficaz falar de si próprio do que transpor aquilo que pensa do outro;
- Esperança desiludida, é importante referenciar aquilo que era esperado e não foi satisfeito, deste modo é mostrar o seu descontentamento.

Tudo isto pode parecer ilusório, ou demasiado difícil de pôr em prática quando na realidade existem poucos modelos à nossa volta nos quais nos possamos inspirar, mas não é impossível e certamente é eficaz.  O esforço para uma comunicação assertiva é compreender o que se passa na cabeça e coração das pessoas que estão em conflito e deste modo substituir a violência por compreensão e objectividade.

Baseado em David Servan-Schreiber

14 fevereiro 2011

Mundo virtual COM limites!

Muito se discute sobre os eventuais benefícios ou malefícios acerca do uso da Internet por parte das crianças e adolescentes. Na verdade a Internet não é um bicho-papão, é um local onde as crianças/adolescentes encontram uma vasta oportunidade educacional e de lazer, mas os pais precisam estar atentos e ter a noção que tal como na vida real o mundo virtual é uma caixinha cheia de perigos. As crianças não têm a capacidade, nem o discernimento para julgar de modo suficiente o que é bom daquilo que é mau e, neste sentido, acabam por ser facilmente enganadas ou manipuladas por informações e pessoas falsas. Deste modo o ideal é que pais/educadores estejam sempre por perto a acompanhar o uso dos computadores por parte das crianças, ensinando regras de segurança, tais como, não fornecer dados ou informações pessoais e alertando para os chamarem sempre que aparecer algo diferente. O tempo despendido também deve ser controlado e devem dialogar abertamente de modo a que a criança exponha as suas dúvidas.

Dicas indispensáveis:
- Mantenha o computador num local de uso comum em casa;
- Incentive a criança a compartilhar consigo as suas experiências na Internet;
- Usem por vezes a Internet em conjunto, assim poderá ensinar-lhe como confiar e dividir consigo aquilo que o pode deixar nervoso;
- Insista para que nunca dê informações pessoais (nomes, moradas, brincadeiras);
- Controle o tempo, até aos 10 anos nunca deve ultrapassar 1h;
- Filtre todo o conteúdo que achar poder ser ofensivo.

Hoje em dia, com a crescente criação de redes sociais (Facebook, Hi5, etc) e jogos sociais, a Internet  é cada vez mais atractiva para as crianças e cada vez mais cedo percebe-se o interesse e fascínio destas por este mundo virtual. Consequentemente a orientação dos pais torna-se fundamental e cabe a eles a responsabilidade e o dever moral de estarem próximos, disciplinarem e estabelecerem limites demonstrando as suas razões e preocupações para com a grande potencialidade que é a Internet.


08 fevereiro 2011

Negligência Parental

Ser pai. Ter filhos. As crianças são única e exclusivamente da responsabilidade do adulto, necessitam deles para viver. Mas, quando tudo isto deixa de ser importante, quando tudo isto é um poço de raiva e frustração. Quem sofre? Quem é penalizado?

Todas as crianças têm o direito de serem cuidadas e de lhes serem facultadas as condições mínimas para um desenvolvimento saudável, quer físico, quer emocional. Quando o adulto não garante à criança a satisfação das suas necessidades básicas, não está a fazer aquilo a que a criança tem direito, mas sim a privá-la de algo essencial.
Os bons-tratos significam que o adulto está a cumprir com o seu papel enquanto cuidador, proporcionando deste modo todas as condições necessárias para a satisfação da criança. Quando não o faz, não está a tratá-la bem, ou seja, estamos em presença de maus-tratos.
Neste sentido, os maus tratos assumem a forma de negligência. Por negligência entendem-se actos de exclusão por parte dos adultos responsáveis pela criança em satisfazer as suas necessidades básicas . Deixam de prestar cuidados, tais como, alimentação, higiene e  educação. Utilizam na maioria das vezes violência física e psicológica, não lhes dão a devida supervisão, orientação, amor e carinho, causando-lhes sofrimento e não permitindo que elas concretizem e desenvolvam o seu potencial.
Geralmente a maioria das crianças submetidas a negligência tendem a não estabelecer vinculação com os cuidadores que concebem as situações de negligência, por este motivo, o distanciamento criado na relação com os cuidadores nos primeiros anos de vida transcende às relações que surgirão futuramente.
As consequências da falta de atenção e sentimentos de rejeição vividos por estas crianças negligenciadas, raramente lhes permitem estabelecer relações saudáveis e de confiança com os outros. Geram uma dificuldade extrema em lidar socialmente e formam uma espécie de capa em torno de si próprias, preferindo ficar distantes das pessoas a sofrerem, usam esta técnica como mecanismo de defesa. Tornam-se adultos com baixa auto-estima e consequentemente com défices emocionais, que não sendo trabalhados podem ser fruto de traumas e depressões.

Alerta para a negligência emocional, sendo esta tão devastadora como a física.

04 fevereiro 2011

Auto-estima nas crianças

A importância de cultivar e fomentar a auto-estima nas crianças é fundamental, para que deste modo sejam felizes consigo próprias e capazes de diariamente ultrapassar obstáculos sozinhas.
O que uma criança pensa de si própria depende, em grande parte, daquilo que as pessoas pensam dela.
Ensinar à criança que há coisas que se sabe fazer bem, e outras que se pode ter mais dificuldades, é essencial. É  normal que se depare com situações de frustração, mas é importante que tenha a noção que apesar de esperarmos sempre o seu melhor todos nós erramos e falhamos, a criança necessita de saber que nada é infalível e que ninguém é perfeito.
É importante elogiar e incentivar quando procuram fazer alguma coisa, fazendo-as perceber que tem direito de se sentirem  “importantes”, que “podem aprender”, que “conseguem” e que os adultos tem respeito por elas, ficando felizes com as suas conquistas.
Deste modo, deve-se procurar estabelecer metas realistas e adequadas à idade de cada criança. Dar oportunidade de se desenvolverem sem uma super protecção ou sem pressão. É importante que a criança viva longe de pressões. 
Devemos sempre evitar dar  rótulos às crianças, essencialmente porque são muito difíceis de retirar. A criança desde que começa a entender as coisas, começa também a identificar-se com certos apelidos ou rótulos que lhe são designados, procurando em si características que justifiquem, como burro, preguiçoso, etc., neste sentido, irá crescer acreditando que é assim.

É importante que…

- Quando a criança fala consigo escute-a, ela percebe quando não a escutamos.
- Deixe-a expressar sentimentos, mesmo que sejam negativos. Evite o discurso: “Não se chora”, “Isso não é nada”, “Tem coragem”. Deixe-a falar.
- Deixe que ela tome as suas decisões, desde que adequadas.
- Trate-a sempre com respeito. Respeite o seu espaço, diga se faz favor e obrigado.
- Dê mais valor ao esforço que faz do que ao resultado que obtém.
- Procure empatia com as crianças. Quanto melhor as entendermos, melhor lidamos com elas.
-Valorize a sua opinião em temas diários, como onde ir passear, que actividade realizar, etc. Tal faz a criança sentir-se importante, auto-valorizar-se e respeitar-se a si própria.

Nunca se esqueça do impacto que tem na construção da personalidade de uma criança.

31 janeiro 2011

Não quero ir à escola!

Geralmente, ir à escola, é um momento agradável para as crianças pequenas. Infelizmente, para outros isso representa medo ou pânico, muitas vezes com dimensões que levam as crianças a fingir que estão doentes para ficarem em casa.
 Nestes casos, as crianças usualmente, queixam-se de dores de cabeça, de garganta ou do estômago, exactamente na hora de ir para a escola. A “enfermidade” melhora quando se permite que fique em casa, mas reaparece na manhã seguinte antes de ir à escola. Em alguns casos, as crianças negam-se por completo em sair de casa. O negar a ir à escola aparece geralmente depois de um período em casa na companhia da mãe, por exemplo, depois das férias, dos dias de festa, ou depois de uma breve enfermidade.

Com frequência, as crianças entre os cinco e os dez anos de idade que se comportam desta maneira, sofrem de um pavor paralisante por ter que deixar a segurança da família e de casa. É muito difícil para os pais fazer frente a este pânico infantil, mas esses temores podem tratar-se com êxito, com ou sem ajuda profissional. Tudo dependerá do grau de temor que a criança tenha. Se os pais notam que pode ser algo passageiro, então devem insistir em levar que tudo passará. Caso a situação se mantenha devem esclarecer junto dos profissionais da escola de que nada se passou que possa justificar o comportamento do seu filho, converse com o seu filho e tente percebê-lo, se manifestar razões injustificadas não colabore e persista na sua frequência diária na escola.

Crianças inseguras... não só na escola!

As crianças que têm um medo irracional da escola podem sentir-se inseguras  noutros ambientes,  podem demonstrar um comportamento de apego aos seus pais exagerado, e inclusive  passarem a ser sombra  dos pais, ou seja, manifestam angústia sempre que estes não estão presentes, deste modo deixam de socializar para se manterem junto a eles. Estes medos são comuns em crianças com a chamada “desordem de ansiedade”. As crianças têm dificuldade para dormir, um medo exagerado e um temor irreal a animais, monstros, ladrões ou do escuro.
As potenciais consequências a longo prazo podem ser muito sérias para uma criança com medos persistentes se não receberem atenção profissional. A criança pode desenvolver sérios problemas escolares e sociais ao deixar de conviver por muito tempo.

A autonomia e independência é fundamental para um desenvolvimento pessoal e social adequado.

28 janeiro 2011

Filhos do Coração

Era uma noite como outra qualquer.
A Luena estava sentada no chão a folhear o álbum de família. Os irmãos brincavam na sala com o Rafa e o Manecas, o cão e o gato lá de casa que, sendo os melhores amigos, às vezes pareciam os piores inimigos.
De repente, o silêncio foi interrompido pela curiosidade de uma menina de cinco anos.
— Mãe… como é que eu nasci? Porque é que não há fotografias minhas em bebé aqui no álbum?
A mãe percebeu que aquela, afinal, ia ser uma noite muito especial. Levantou-se do sofá e foi sentar-se ao lado da filha.
— Vou contar-te a história mais bonita do mundo e a mais especial, porque é a tua história. Sabes como nascem os bebés?
— Nascem de repolhos grandes! — exclamou o Manuel.
— Não é nada… chegam no bico das cegonhas! — contrapôs o Jorge.
Maria desatou a rir e avançou com a sabedoria de quem acredita que domina o mundo do alto dos seus dez anos:
— Os bebés nascem das barrigas das mães! O pai põe uma sementinha num ovo que a mãe tem dentro da barriga e, depois, a barriga começa a crescer, a crescer, a crescer e, nove meses depois, nascem os bebés!
— Nem todos — interrompeu a mãe —, alguns filhos nascem nos corações!
Nesse momento até as certezas da Maria, a irmã mais velha, desapareceram.
Curiosos, os irmãos aproximaram-se da mãe, prontos para ouvir esta história que, como todas as histórias importantes, começa com um…
— Era uma vez… — disse o pai da Luena que acabara de entrar na sala.
— …um coração que engravidou de amor — acrescentou a mãe.
— Os corações também engravidam? — interrompeu a Luena curiosa.
— Claro que sim! Esse coração, tal como as barrigas das mães, cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou por uma menina cor de canela e de trancinhas no cabelo que escolheu fazer parte desta família — respondeu o pai emocionado.
— Sabes Luena… há várias maneiras de criar uma família, mas o importante é o amor que une as pessoas dessa família, porque as famílias são para sempre — concluiu a mãe.
— Mesmo quando se zangam? — perguntou o Manuel.
— Claro… não vês que, apesar de se zangarem, o Rafa e o Manecas adoram-se e não conseguem viver um sem o outro? — lembrou a mãe.
A Luena ouvia em silêncio com muita atenção mas, quanto mais lhe explicavam, menos conseguia entender. Pegou na mão da mãe, obrigando-a a fixar o olhar no seu, que suplicava por mais esclarecimentos.
— Então como é que eu cheguei ao teu coração grávido, mãe?
— Já vais perceber… mas, o mais importante é que estás cá dentro, no nosso coração, como todos os teus irmãos.
Pelo olhar perdido da Luena, todos conseguiram imaginar a confusão que reinava na sua cabeça. O pai avançou com mais explicações:
— Sabes Luena, existem muitos lugares no mundo onde os pais não têm condições para criar os filhos…
— …e, por isso, têm que deixá-los em instituições como aquela no Gana, em África, onde nós te vimos pela primeira vez — acrescentou a mãe.
— E nesses lugares existem muitos meninos como eu, mamã? — perguntou a Luena.
A resposta chegou pela mão da irmã mais velha, a quem os dez anos davam direito legítimo a uma resposta sempre na ponta da língua:
— Espalhados pelo mundo, existem meninos de todas as raças e cores que precisam de pais, porque os seus pais da barriga não puderam cuidar deles como eles mereciam.
«Raças» era uma palavra difícil para os irmãos mais novos. O Manuel sabia que era preciso perguntar para conseguir aprender e, por isso, não hesitou:
— O que são raças, papá?
— Raças são características diferentes dos meninos que nascem em todas as partes do mundo: em Portugal, no Gana, na China…
À Luena nunca lhe tinha ocorrido perguntar porque é que a sua cor de pele era diferente da dos seus irmãos… afinal somos todos diferentes uns dos outros! Há crianças gordas, magras, altas, baixas, meninos de olhos azuis e outros de olhos castanhos. A cor da sua pele fora sempre aquela, portanto era uma característica sua.
Ela também sabe que o que é realmente importante sente-se com o coração. E o seu coração traquina dizia-lhe que o importante é o amor que une as famílias e o sentimento de segurança que os filhos têm junto dos pais.
— Ao ver-te pela primeira vez, o nosso coração cresceu tanto, tanto, tanto, que se apaixonou e, desde esse momento, a nossa vida deixou de fazer sentido sem ti — revelou a mãe com ternura.
A Luena ficou em silêncio a saborear o olhar apaixonado dos pais e a pensar em todas as crianças que não têm uma família.
Imaginou os meninos que não pertencem a ninguém e que adormecem à noite sem ter os pais ao seu lado para lhes contarem uma história. Imaginou como deve ser difícil não receber um beijo da mãe todas as manhãs. Imaginou como se devem sentir sozinhas as crianças que estão à espera de conhecer os seus pais do coração…
Espontaneamente correu e abraçou os seus pais com toda a força que conseguiu, numa tentativa desesperada de lhes fazer sentir todo o amor que tem por eles.
— Que bom que é ter uma família! — exclamou feliz.
E a sabedoria dos dez anos da Maria traduziu-se numa verdade simples que, no coração, todos sentem como uma certeza:
— Luena… a nossa família não seria a mesma sem ti…
— É verdade Luena, estamos muito felizes por termos uma irmã como tu — acrescentou o Jorge.
— Papá, e o que acontece às outras crianças que ainda não tem uma família? — perguntou o Manuel.
— Estão à espera de encontrar corações apaixonados que engravidem de amor e consigam formar uma família como a nossa — explicou o pai.
— Sabem que às vezes isso acontece muito depressa, mas outras, demora mais tempo. Porém o mais importante é que, no final de tudo, encontrem uma família… e de certeza que isso acaba por suceder! — concluiu a mãe.
A Luena ficou tranquila com as palavras da mãe em relação aos outros meninos que ainda se encontram a viver em instituições. Contudo, uma dúvida insistia em formar a covinha que aparecia na sua bochecha esquerda sempre que algo a preocupava:
— Mamã… mas como é que esses pais que engravidam do coração conseguem escolher uns meninos e deixar lá outros?
— Na verdade, filhota — explicou a mãe orgulhosa da sensibilidade da filha —, esses pais não escolhem os filhos… mesmo que não percebam, eles é que são os escolhidos. Um coração só engravida quando se apaixona, por isso é que pouco importa se os filhos nascem da barriga das mães ou dos seus corações. O amor só pode ser um laço natural… porque ninguém nos pode obrigar a amar!
— Tu, por exemplo, — continuou o pai – escolheste-nos no dia em que te conhecemos e, depois de nos conquistares, deixaste-nos amar-te. As fotografias que te faltam aí no álbum não são importantes, porque a nossa história de amor começou mais tarde, e nem todas as histórias de amor tem de começar numa maternidade.
— Se pensares bem, filhota — acrescentou a mãe —, não há fotografias de todos os momentos felizes que passámos juntos, porque alguns desses momentos guardámo-los cá dentro do coração, que é o melhor álbum da nossa vida!
O Manuel e o Jorge começavam a dar os primeiros sinais de cansaço com um bocejo traiçoeiro. A Maria, a quem a vida naquela noite até tinha conseguido ensinar qualquer coisa nova, foi contagiada e abriu a boca, denunciando a chegada da hora de dormir.
— Meninos, vamos para a cama! Hoje já ouviram uma linda história, que vos deu muito em que pensar! — exclamou o pai divertido.
A mãe levantou-se e distribuiu as crianças pelos quartos, ao ritmo de mimos e beijos de boas-noites. Quando chegou perto da cama da Luena reparou que a covinha da bochecha voltara a ficar visível.
— Mamã… ainda existem muitas famílias à espera de serem escolhidas por essas crianças? — perguntou-lhe a filha.
— Algumas, meu amor… — disse a mãe tentando tranquilizá-la — …mas não te preocupes, porque todas essas crianças vão, de certeza, escolher uma família como a nossa para serem muito felizes.
Aos poucos, a covinha foi desaparecendo. A Luena fechou os olhos, rendendo-se a um sono descansado, e começou a sonhar com um mundo cor-de-rosa, com pinceladas de muitas outras cores alegres e vivas que pintam a realidade de uma menina traquina de cinco anos.
A mãe inclinou-se e beijou o rosto daquela filha especial, que tinha trazido um brilhante arco-íris à sua vida. Depois, afastou-se em silêncio e ficou a pensar que, se todas as famílias soubessem quão maravilhosas e completas se podem tornar as suas vidas quando os seus corações engravidam, de certeza que as instituições do mundo ficariam vazias de crianças e as suas casas cheias de amor.
Alexandra Borges; Luís Figo; Ana Cardoso
Filhos do Coração – A adopção explicada a pais e filhos
Lisboa, Bertrand Editora Lda., 2007

Fonte: http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com